'Ratatouille'
Ratatouille. Quando eu vi o trailler pela primeira vez, admito que pensei 'Um rato cozinheiro? Tudo bem que a Disney não erra, mas...'. Mas, depois de assistir o filme, com uma dublagem horrenda, posso dizer que é um dos melhores de 2007 até agora. A história não só é bem construída e articulada, como o CG do filme é bem feito. Prestando atenção nos pelinhos do ratos, nas imagens panorâmicas, nos efeitos de água, dá pra ver que a equipe de efeitos do filme fez um bom trabalho.
A história, sobre um rato francês que queria ser chef, não é ruim: na verdade é uma ótima história, que mascara uma temática de amizade, valores familiares, perseverança, essa coisa toda. A cenas, principalmente aquelas que envolvem ratos se comportando como ratos são bem boladas e o filme como um todo é bem engraçado. Há cenas impagáveis, como a cena em que Émile está comendo algo que parece um pedaço de uma caixa de ovos e Remy pergunta se ele sabe o que é aquilo que ele está comendo. O único problema foi o som, que na versão que assisti, estava uma merda. Vou esperar e tentar conseguir uma versão em som original, para aproveitar o som, coisa que não consegui fazer. De qualquer maneira, Ratatouille é um filminho ótimo e vale a pena mesmo.
Paulo Rocha 03:32 PM
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'Número 23'
Este mês assisti ao filme 'Número 23' e achei ótimo. Joel Schumacher, o monstro por trás de coisas hediondas como 'Batman e Robin' demonstra que uma vez bom diretor, eventualmente bom diretor de novo (lembrem-se que ele dirigiu filmes como St. Elmo's Fire, Tigerland e Flawless). O filme conta a história de um sujeito que encontra um livro chamado 'The Number 23' que faz com que ele fique totalmente obcecado pelo número 23, passa a ver o número em todos os lugares e em todos os sentidos, como se o sentido de tudo fosse o próprio número 23. O personagem principal é Walter Sparrow, interpretado por Jim Carrey que como de costume não decepciona, adiciona muito ao filme em termos de atuação, assim como quase todo o elenco; à exceção daquele crápula do Logan Lerman, que interpreta o filho adolescente e já havia demonstrado potencialidade para péssimas atuações em 'Garotos da Minha Vida' e 'Efeito Borboleta'.
O roteiro é interessante, a direção é mediana mas sem danos ao filme - há os clássicos erros de continuidade dos thrillers, como por exemplo, de onde diabos ele arranja o livrinho infantil do Fingerling, se ele saiu sem NADA nas mãos do manicômio? Enfim, o destaque neste filme fica para a história do livro 'The Number 23' que Carrey lê no filme e é o estopim da trama: é uma história noir interessantíssima, obviamente resumida, que conta a história do detetive Fingerling e sobre como ele acaba por se tornar um assassino.
Não só é interessante como a atuação de Carrey como Fingerling é um susto: ele não só convence como paranóico homicida no filme, como se sai muito bem. Destaque também para a loura suicida, que caiu como uma luva no filme. Ela é um personagem tipicamente noir, da 'mulher indefesa ou não que joga o detetive de cabeça na história': exatamente aquele tipo de mulher que nossas mães disseram pra ficarmos longe, mas por alguma razão estranha, contra nosso próprio senso e julgamento, nos atraímos por elas e elas acabam com nossas vidas. A jovem atriz, que eu me esqueci o nome agora, que interpreta a loura suicida também interpreta mais dois personagens no filme.
Aliás, quase todos os personagens principais interpretam mais de um personagem, representando a imaginação de Sparrow construindo as imagens do livro a partir das pessoas que conhecia no mundo real. Ao invés de fazer uma salada confusa de atuação, Joel Schumacher consegue adicionar mais valor ainda as atuações do filme. 'Número 23' já está em DVD há um tempinho e é uma boa pedida.
Paulo Rocha 10:53 AM
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O Velho I
Um vácuo dominava sua vida. Não porque era um homem ignorante, ao contrário, era mais ou menos inteligente. Nascera bem, em família rica, tivera acesso a coisas que nem todos de sua geração tiveram. Sua infância, assim como sua adolescência, transcorreu sem grandes entraves ou traumas. Descobrira o amor jovem, aos doze anos, e a desilusão logo em seguida. Sua primeira relação foi com uma amiga, dois anos mais velha, que sempre dizia que o achava ‘bonitinho’. Lia livros, assistia filmes, procurava ser educado. Depois, terminou o colégio, sem impressionar muito. Entrou para a faculdade mais fácil que encontrou e lá teve várias namoradas, que não eram de todo deslumbrantes e nem eram de todo desprezíveis. Viveu mais alguns anos estudando, sem se esforçar de mais nem de menos. Aos 27, por causa de um acidente doméstico com uma frigideira, conhecera Elaine, 25, a enfermeira. Ela era bonita, tinha coxas bem torneadas, roliças. Seios mediamente fartos, duros. Trabalhava muito, tinha olheiras quase todos os dias e um meio sorriso fraco que irritava qualquer um. Sentia-se solitária. Ele com um trabalho péssimo que odiava, uma vida vazia de significado, contentava-se cada vez mais com qualquer mulher. Via pouca diferença entre cada uma, e fodia aquela que fosse mais fácil.
Ele e Elaine saíram e logo ficaram juntos. Transaram. E viram que afinal, talvez não houvesse coisa melhor pra fazer do que ficar juntos. Alugaram um apartamento pequeno, próximo do hospital, pois ele poderia ir de bicicleta para o trabalho, enquanto que ela poderia ir a pé. Os anos passaram, e os dois permaneceram juntos. E, um dia, ela engravidou. Ele não se preocupou, nem ficou feliz tampouco. Sabia que era uma grande coisa, mas naquelas alturas de sua vida, aos 30 e poucos anos, via pouco sentido em importar-se com coisa alguma. Ele e Elaine casaram-se em uma cerimônia simples, com ambas as famílias presentes. A família dele, descendentes de portugueses com índios que ficaram ricos com a agropecuária paranaense, que depois ficaram pobres com os revezes da vida, tinham todos a mesma cara, o mesmo semblante entorpecido. A dela, descendente de alemães, nunca tivera dinheiro ou cultura, ou coisa alguma. Eram uns bandos de lojistas, empregados públicos, professores, entre outras profissões insignificantes. Cinco meses depois nasceu o primeiro filho. Chamaram-no de Henrique, em homenagem ao bisavô falecido.
A vida continuou nos anos seguintes. O menino foi pra escola, os pais continuaram nos seus mesmos trabalhos. Trocaram o velho Gol 82 por um carro do ano, financiado para o resto da vida. O pequeno Henrique foi crescendo, entrou para o colégio. Era um menino bom, que dava pouco trabalho. Seu pai já beirava os quarenta e cinco quando conheceu aquela moça. Era bonita, não muito, mas era novinha em folha e ele, que nunca ligou pra muita coisa, decidiu que teria uma amante. Ia todas as manhãs na casa dela, mentia que ia caminhar. A mulher não acreditava, mas não dizia nada. Depois de três anos, Elaine descobriu dentro de um dos bolsos de um calça uma foto dele com ela. Quando ela perguntou a ele, ele confirmou tudo, disse toda a verdade: que havia tido um caso com a moça, mas agora ela já o havia largado. Ela se limitou a esboçar uma lágrima ausente no fundo daquelas olheiras terríveis, mas nada disse. No dia seguinte, foi-se embora, deixando um bilhete. Ele nem leu, jogou o bilhete fora. Algumas semanas depois, ela mandou-lhe uma carta, esbravejando ofensas. Depois outra. E depois mais uma. Cansado, ele apenas olhou o endereço e mandou uma carta para o remetente, com os papéis do divórcio e um terço do seu salário dentro. Depois de alguns dias, ele recebeu um envelope dela, com os papéis do divórcio assinados. Elaine não mandou mais cartas, nunca mais. E ele, que pouco sentiu quando recebeu aquela carta, simplesmente continuou mandando a pensão.
O filho ficou com ele, afinal era o mais certo: ela nunca gostou de crianças, nem adolescentes. Ele tinha mais paciência. O rapaz formou-se e tinha sonhos e aspirações tremendas. O pai ria-se, lembrava que também fora assim. Depois, quando deitava-se sozinho na cama, sentia-se idiota, pois percebia que isso era mentira, nunca sonhou coisa alguma, nunca aspirou a nada. Lembrava que Henrique disse-lhe que iria ser astronauta quando era pequeno e agora que era mais velho, o rapaz decidira fazer o curso de letras. Depois de um ano, abandonou. Entrou então para a faculdade de direito, em uma universidade particular. O dinheiro era pouco. Mas, afinal, ele pensava, iria gastar em quê? Não sentia vontade de nada, lia jornal todos os dias, trabalhava. Assistia aos jogos do brasileirão, torcia para o Santos, mas não era fanático. Não gostava de torcer. Não gostava muito de futebol, na verdade. Aos 55, encontrou o primeiro baseado nas coisas do filho. Sem querer, claro, quando foi procurar por um de seus sapatos na lavanderia. Achou, no bolso de uma calça, dois baseados enrolados e mais em um pacotinho. Não ficou preocupado, também já tinha fumado maconha. Indagara se o dinheiro para aquilo viera da mesada que dava ao filho, mas também não se importara muito com isso. Quando perguntou ao rapaz, naquela noite, arrependeu-se. Henrique fez um escândalo, gritou e chutou as paredes. Chamava-o de hipócrita, de velho ignorante. Ambos perderam a calma. Ele deu-lhe dois socos no rosto, não por disciplina ou por raiva, mas por impaciência. Afinal, na sua idade, pouco ligava para o filho de mais de vinte anos. Ele que procurasse o que fazer, se fosse fumar maconha escondido, qualquer coisa que não o incomodasse.
Henrique, que não chorava desde os quinze anos, foi embora de casa com lágrimas nos olhos, pra nunca mais voltar. Quanto ao pai, este não chorou pelo filho que ia embora, mesmo que tenha se sentido triste e sozinho. Na carta daquele mês, não colocou dinheiro, escreveu dizendo que o filho havia ido embora. Elaine mandara outra carta, sem escrever nada: simplesmente postara e enviara a mesma carta que recebeu em outro envelope. Entendendo a mensagem, ele não ligou. No mês seguinte voltou a mandar as cartas como sempre.
Paulo Rocha 09:27 PM
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O Velho II
No dia do seu aniversário de 67 anos, aposentou-se. No seu último dia de trabalho, deram-lhe um bolo e um relógio. Não era o mesmo trabalho de sua juventude, afinal, subira na empresa. Não era habilidoso, nem competente, mas era por demais complicado contratar alguém novo naquela época, então, ele ficou. Alguns se despediram dele, abraços foram dados e ele foi pra sua casa. Não sabia o que fazer de seu tempo, exceto que assistia TV o dia todo. Comprara um gato, malhado, não sabia se era de raça ou não. Comprou da vizinha, por quinze reais. O gato era um incômodo, mas pelo menos assim tinha algum outro ser vivo em casa com ele. Um dia, recebera uma carta de Elaine. Relutante, ele abriu a carta e a leu. Ela dizia que Henrique morrera, assassinado, com um tiro na nuca. Encontraram seu corpo em uma vala, perto da fronteira com o Paraguai. Foram traficantes, dizia a polícia. O enterro seria dois dias depois, em Foz do Iguaçu. Ele chorou durante alguns segundos a morte do filho, mas logo se recompôs. Dois dias depois, foi ao enterro. Ficou sentado em uma cadeira a frente do caixão fechado, sendo cumprimentado por algumas beatas irritantes que rondavam por aquela capela que cheirava a alvejante. Depois, quando o filho já estava enterrado, encarou Elaine pela primeira vez desde que se encontraram. Assim como da primeira vez que a vira, não sentiu nada. Nada disse também, quando ela disse para que não mandasse mais pensão, pois ela iria se casar. Ele limitou-se a pensar que era ridículo alguém na idade dela se casar. Concordou com o que ela disse, dizendo ‘que seja’. E foi-se embora.
O gato também morreu, alguns anos depois. Atropelado. Um dia, quando os lixeiros passavam tirando lixo, o gato tentou atravessar a rua no exato momento em que o caminhão passou. Foi atingido pela roda traseira. O lixeiro bateu a porta, choroso, com o gato morto segurado pelo rabo. Ele tranqüilizou-o, disse que fora um acidente, que não devia se preocupar-se. Era um gato velho mesmo, um gato velho e burro, morreu como viveu, o velho disse. Enterrou o gato, e não pode evitar de rir ao lembrar da cara e do choro do lixeiro. Enterrou o bichano junto ao limoeiro que tinha aos fundos da casa, no canto do terreno. Decidiu que não teria mais animais de estimação, pois eram animais bestas e se apegar a eles era perda de tempo. Sentia-se um pouco sozinho às vezes, no entanto, e por isso comprou samambaias. Com o passar dos anos, esqueceu-se das samambaias e acabou jogando-as fora. Já estava titubeando em seus 79 anos e não podia fazer mais tudo em casa. Contratou uma empregadinha de 16 anos, morena, caboclinha que morava em uma vila da cidade. Era uma moça simples, mas bonita. Tinha um rosto arredondado, de bolacha, e um corpo rechonchudo de menina. Ele, agora um velho tarado, tinha ganas pela mocinha, mas beirando os oitenta anos de idade, pouca coisa podia fazer fora olhar. Também, mesmo se pudesse fazer alguma coisa, ela não ligaria para alguém tão velho quanto ele. Provavelmente, pensava ele, ela deve se interessar por esses rapazes idiotas da idade dela. Seu nome, ele nunca lembrava. Era Jurema, ou Jussara, nem sabia. A chamava de Bolachinha. Ela ria do apelido, achava o velho engraçado no seu silêncio e com sua cara de cachorro velho.
Na época que a Bolachinha já não era mais novinha e parou de trabalhar na casa pra se casar com um leiteiro, ele descobriu que estava doente. Câncer, dizia o médico. No Pulmão. Nunca fumou um cigarro em toda sua vida e iria morrer de câncer, pensou. Não ficou chocado, nem muito preocupado. Na sua idade, não havia motivo em chorar pelo leite derramado. Tentou achar Elaine e dizer que estava doente, mas não conseguiu. Conseguiu um telefone de um dos filhos do novo marido de sua ex-mulher e parecia que sua família mudara-se para Goiás, que o novo marido de Elaine comprou uma fazenda para aqueles lados. Pouco importava. Na manhã seguinte, foi até a casa da Bolachinha e pediu que ela arranjasse tudo, quando ele morresse. Ela, aos prantos, não se conformava com tudo aquilo. Ele, impaciente, pediu que ela o enterrasse ali mesmo, no cemitério da cidade, em um túmulo qualquer. Deixou dinheiro suficiente para o enterro e para quaisquer outras coisas que surgissem. Ela prometeu por Deus do Céu e todos os santos que faria o que ele pediu, que não fugiria com o dinheiro. Ele deu de ombros e foi embora para sua casa. Naquela tarde, ele sentou-se no banco que tinha na varanda, onde sentava durante todos os dias.
Nunca percebeu antes, mas naquele banco, ao entardecer, podia-se ter uma vista maravilhosa, do pôr-do-sol sobre a cidade. Por um momento, ele vislumbrou toda sua vida regressa. Sentiu, pela primeira vez, em todo aquele tempo, falta de algo, de um motivo para viver. Percebeu que um vácuo dominou sua vida e que nunca mais conseguiria recuperar tudo o que perdeu. Sua juventude. Sua mulher. Seu filho. Seus sonhos. Ele percebeu que perdera a si mesmo, ao longo de muitos anos de vida sem sentido. Que pouco havia nele de valor, ou que pouco fizera que valesse alguma coisa. Que era somente um velho decrépito e sem nada que pudesse dar valor. Nem conteúdo, nem posses, nem sentimentos, nem mesmo saúde. Que tudo aquilo que teve significado em sua vida, ele não viu. Ele observou o pôr-do-sol do banco por mais alguns instantes. Era o pôr-do-sol da sua vida aquele, e ele percebera que sua vida havia chegado ao último capítulo. Então, ele chorou. Longamente, silenciosamente. Chorou porque talvez, para ele, a única coisa que realmente o afetou, na qual ele identificou um significado real, foi na própria morte. E mais do que nunca, ele se sentiu arrependido.
Paulo Rocha 09:27 PM
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A Noite Que Chama
A lua já estava alta, quando Horácio acordou de súbito. Arregalou os olhos, olhando para o teto bege, cheio de teias de aranha, como se estivesse procurando algo familiar que o ajudasse a perceber onde estava. Quando recobrou plenamente a sua consciência, sabia que não conseguiria mais dormir aquela noite. Desembolou-se das cobertas bagunçadas e levantou, enquanto coçava a cabeça. Seu gato, um velho gato cinza chamado Roto, quase cego e careca, esfregou-se em sua perna e soltou um miado choroso. Horácio sorriu e caminhou até a janela entreaberta e escancarou-a.
Roto pulou pela abertura recém aberta com uma agilidade inesperada; aterrisou sobre o telhado avermelhado logo abaixo. Horácio se debruçou sobre a janela, para que pudesse observar a noite. Admirava e sentia reconfortado com aquela vista, do céu azul escuro acima, manchado pela luz amarelenta da cidade logo abaixo. Observava os prédios e indagava se alguém, em alguma daquelas janelas fazia o mesmo que ele, no mesmo momento e se, por um instante, seus olhares não se cruzaram despercebidos. Ouvia o insistente murmurinho da noite, gritos ao longo, latidos insuspeitos e um inquietante assovio baixo da brisa noturna. Ele aspira aquela inquietude e sente uma vontade irresitível de sair pela noite, esgueirando-se pelos becos, dando boa noite para os gatos. A vontade, pensou Horácio, era de sentir-se vivo, alerta e parte da vida pulsante da cidade, das pessoas ao redor e do mundo. Roto, mesmo velho e careca, ainda sente falta da noite, das gatas vagabundas e dos becos. Não poderia ser diferente com os humanos. Ao longe, uma sirene ecoa, enquanto uma puta atravessa calmamente os becos abaixo.
Assim como seus ancestrais, Horácio deixa-se levar pela noite que o atrai, veste uma calça jeans surrada e uma camiseta velha e mofada da micareta de alguns anos antes. Pega a carteira e as chaves sobre a cômoda e volta-se para a porta. Antes de sair, ele sorri mais uma vez e ansioso, pensa nas inúmeras possibilidades que aquela noite promete. E sai porta afora, tão sorrateiro quanto um gato e tão boêmio quanto.
Paulo Rocha 09:58 AM
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BEM VINDOS AO DISTOPIA.
Ele sempre estará em algum canto escuro, silencioso, observando secretamente aqueles ao seu redor. Sem ser notado, ele vaga pelos obscuros recônditos escondidos da sua própria mente, desafiando os fundamentos mais arraigados do pensamento humano, enquanto destila um pouco daquela verve única, própria dos incompreendidos e idiotas, que insistem em buscar uma razão para uma vida sem sentido. Seu nome é Paulo Rocha e enquanto observa o desenrolar dos acontecimentos e o adensamento da trama, procura encontrar alguma lógica para o quadro louco e estranho que compõe a existência dos seres humanos. Sem nunca perder a esperança, ele procura compreender a saga dos homens modernos - uma saga malfadada, que fica cada vez mais complicada.
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